Décima e última entrevista desta segunda série de entrevistas neste espaço. Este ciclo de conversas, que teve o seu início em Janeiro de 2010, chega agora ao fim com o Carlos Medina Ribeiro que criou (e dinamiza com muitos outros autores, que convidou desde Janeiro de 2005) o blogue Sorumbático e colabora em muitos outros, com destaque para O Carmo e a Trindade e Passeio Livre. Mais raramente, publica também nos seus blogues humor antigo e No Reino do Absurdo.
O Carlos é um engenheiro electrotécnico reformado que se dedica entre outras coisas à leitura e à escrita. É um conhecido cibernauta que estudou e publicou livros relacionados com a nossa sociedade da informação, usando o humor para nos contar histórias de inforfobia (ou incapacidade de relacionamento com a informática).
Como sempre a entrevista foi feita via email.
Resta-me agradecer a todos os que aceitaram este desafio de falar um pouco de si e dos seus gostos. Espero que tenha sido um prazer para todos tal como foi para mim. Obrigado e até à próxima.
1 - Fale-me um pouco de si. Quem é o Carlos Medina Ribeiro?
Nasci em Novembro de 1947, no Porto, mas quase por engano...
A minha mãe era professora e veio, pouco depois, destacada para Lisboa. Eu vim com ela (os meus pais eram divorciados), e é em Lisboa que moro, desde miúdo.
A minha ligação ao Porto, no entanto, manteve-se, durante muitos anos, ao "ritmo" de 3 ou 4 meses a morar lá, devido à férias escolares.
Actualmente, é raro ir à "Invicta".
Estudei, pois, em Lisboa, frequentei o Camões e mais tarde o IST, que terminei em 1970 (o último ano em que o curso durava 6 anos, seguidos de 3 ou 4 meses de estágios em empresas).
Trabalhei como engenheiro durante o serviço militar obrigatório (que cumpri na Marinha de 1970 a 1973), depois ingressei na Efacec, onde estive até Dezembro de 2001.
Poucos anos mais tarde (depois de alguns a trabalhar por conta própria), reformei-me.
2 – É natural do Porto, mas vive em Lisboa há muito tempo. Qual é a sua cidade preferida?
Se Sintra não fosse vila (e não quer ser cidade!) era ela que eu metia na resposta.
3 – Em 1997 publicou o livro: “Crónicas da Inforfobia”. Hoje em dia ainda se diverte a ‘combater’ a fobia ao uso dos computadores e da Internet ou esse receio patológico encontra-se extinto?
Infelizmente, continua mais actual do que seria desejável, especialmente em profissões onde a inforfobia causa dano. Refiro-me, nomeadamente, a médicos especialistas - e conhece casos em que o não-uso dos computadores (e da internet) é verdadeiramente gravoso para os doente que têm ao seu cuidado.
Mas já não tenho pachorra para o espírito de cruzada...
4 – Está a pensar publicar algum livro nos próximos tempos?
Não.
5 – Quem é a pessoa que mais admira? Até que ponto ela serve de modelo para a sua própria vida?
Admiro imensa gente, dependendo das actividades que estivermos a analisar.
Poder-lhe-ia responder "José Águas" (se o assunto fosse futebol), "Einstein" (se fosse Ciência"), Van Gogh (se fosse pintura), etc.
Em termos pessoais e particulares, quem eu mais admiro, actualmente, é um amigo meu que está com uma doença grave e incurável, e que encara a vida quase "como se não fosse nada" - eu, no caso dele, já me teria suicidado há muito.
6 – O que sentiu quando perdeu o ‘amigo’ Carlos Pinto Coelho? Gostava de lhe dizer neste momento alguma coisa se ele pudesse ouvi-lo?
Ao contrário do que se possa pensar, a minha amizade com o CPC era relativamente recente.
Conhecemo-nos através do 'Acontece' (na rádio e na RTP2, em finas dos anos 90 do século passado), a propósito dos meus livros do "Jeremias".
Em 2005, convidei-o para o blogue 'Sorumbático'. Começámos por ser só os dois. A seguir veio o Joaquim Letria, depois o Nuno Crato, e durante muito tempo fomos apenas esses quatro.
Presencialmente, eu e o Carlos estivemos juntos, ao todo, um par de dezenas de horas. Infelizmente, foi pouco - muito pouco. O Carlos era um bom amigo, um amigo fixe, daquelas pessoas que gostaria de ter sempre por perto. em qualquer momento da minha vida.
Se eu pudesse dizer-lhe alguma coisa, bastariam 4 palavras: «Fazes cá muita falta!»
Conhecemo-nos através do 'Acontece' (na rádio e na RTP2, em finas dos anos 90 do século passado), a propósito dos meus livros do "Jeremias".
Em 2005, convidei-o para o blogue 'Sorumbático'. Começámos por ser só os dois. A seguir veio o Joaquim Letria, depois o Nuno Crato, e durante muito tempo fomos apenas esses quatro.
Presencialmente, eu e o Carlos estivemos juntos, ao todo, um par de dezenas de horas. Infelizmente, foi pouco - muito pouco. O Carlos era um bom amigo, um amigo fixe, daquelas pessoas que gostaria de ter sempre por perto. em qualquer momento da minha vida.
Se eu pudesse dizer-lhe alguma coisa, bastariam 4 palavras: «Fazes cá muita falta!»
7 - A sua relação com os cibernautas e a blogosfera já lhe trouxe dissabores? Há algum episódio engraçado ou menos engraçado que queira relatar?
Só tive dissabores com alguns "anónimos". Mas dissabores relativos e passageiros, por estar a ser insultado por alguém que me conhece, sem que eu possa saber de quem se trata.
Parece que há quem me odeie profundamente, mas não faço a mínima ideia porquê - nem sequer quem seja!
A cobardia dessa gente espanta-me e entristece-me.
8 – De acordo com o novo acordo ortográfico, qual a palavra que mais lhe vai custar rescrever?
"espetador"
9 – Consegue adormecer na cama sem ler ou lê só fora da cama?
Só adormeço na cama, e sempre depois de ler algum livro (normalmente, um por semana).
Fora da cama, leio só jornais e textos online.
10 – Já não tem idade para ter medo...?
O medo é uma reacção lógica, de sobrevivência animal.
É normal (e saudável) que se tenha medo dos verdadeiros perigos (quedas, choques eléctricos, atropelamentos, mulheres ciumentas, etc).
Quanto aos "medos cívicos" (no sentido de "ter medo por defender esta ou aquela posição"), não tenho. Mas isso não me impede de tentar prever as consequências dos meus actos - e tomar as devidas precauções, se for caso disso.
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3 Comentários: (+add yours?)
gostei de ler. simples e directo.
parabéns ao entrevistado e ao entrevistador.
Um espaço com entrevistas é sempre uma boa forma de conhecer o outro. Beijos
Não é família do Medina Carreira? Óptima entrevista. Já perdi muitas, não? Sou contra esse dito acordo por isso continuo a usar os ps os cs e por aí adiante.
Beijinhos
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